COLUNA DO PE. NESTOR

CIDADE LIMPA...

04/10/2016 por Pe. Nestor Eckert Compartilhar

De tempos para cá, muitos cidadãos pensam e defendem o parecer de que cidade boa é aquela que prima pela qualidade de seu ambiente natural. Cidade boa é a que possui jardins bonitos, gramados deslumbrantes, árvores bem cuidadas, ruas limpas, sombras às quais estacionar nossos carros (e como faltam árvores para “abrigar” carros!), parques onde passar horas de folga... Tudo isso ajudaria para que se tivesse uma “cidade boa” onde viver. Igualmente, essa cidade seria, uma “cidade limpa”. O que seria uma “cidade limpa”? Como medir ou mensurar o grau de limpeza de uma urbe? Que indicadores podemos usar?

                No clima de eleição ou pré-eleição, que estamos vivendo, podemos pensar e refletir no que seria “cidade limpa”. O termo e o conceito “cidade limpa” tem diversos sentidos e significados. Inicialmente, podemos perguntar “limpar do quê?”. Limpar como? Onde? Quando? A que custo? Quem vai limpar a cidade? E, uma vez “limpa”, o que fazer para conservá-la limpa? Mas, em nossa realidade, não se trata apenas e tão somente de manter limpa a cidade. Interessa olhar com olhos de município. A população que mora na área rural é maior que aquela que habita a área urbana. Há mais gente vivendo do seu trabalho no campo e na roça do que em ambientes citadinos.

                Podemos refletir em outros termos, em outra dimensão, em outro sentido de “cidade limpa”. Algo que diz mais com nossa realidade e nossas preocupações em ter ambientes e situação adequada, boa, digna e boa para nossas crianças, adolescentes, que não podem decidir ou optar... Trata-se de uma realidade muito mais profunda e séria, comprometedora e cidadã que vem expressa pelas palavras “cidadania consciente e participativa”.

                Recorremos ao Filósofo, Educador e Escritor Mário Sérgio Cortella. Mário Sérgio nasceu em Londrina/PR, no dia 05 de março de 1954. Após o Ensino Médio, fez experiência de vida no Convento da Ordem Carmelitana Descalça, por dois anos.  Em 1975, obteve a Graduação em Filosofia, fez Mestrado (em 1989) e Doutorado (em 1997) em Educação. Foi orientado por Moacir Gadotti e Paulo Freire, respectivamente. Hoje, o Prof. Mário Sérgio é um dos autores respeitados pelo Brasil e pela América Latina.

                Retomemos: neste período de ensaios e opções, tentativas e escolhas sobre os nossos cidadãos e cidadãs dignos e dignas, merecedores/merecedoras e capazes de representar-nos junto à prefeitura e à câmara de vereadores, somos levados a dizer que a dita “cidade limpa” é algo muito sério: envolve pessoas. Escutemos o Prof. Mário Sérgio:

                “Se não quiser uma cidade (um município) suja/o, não deposite lixo na urna”.

                Pode parecer agressiva a assertiva do Filósofo e Educador. Mas, ele diz o que muitos de nós gostaríamos de dizer. Não apenas dizer, gostaríamos que todos os candidatos e candidatas ouvissem ou lessem isso. É assim que pensamos. Neste ano, até que a poluição pré-eleição é menor, mas ainda ficamos estarrecidos e indignados, chateados quase revoltados pela maneira como candidatos e candidatas se apresentam querendo ser nossos representantes. Nós não queremos contribuir para aumentar a sujeira em nossas cidades e em nossos municípios. Saibam que nós não depositaremos lixo nas urnas. Por isso, senhores candidatos, senhoras candidatas colaborem oferecendo-nos valores a depositar na urna. Por favor, não nos obriguem a depositar lixo na urna. O município agradece. A qualidade do que ali depositaremos depende tão somente de candidatos e candidatas.

Ainda há de vir o tempo em que não seremos mais obrigados a votar. Poderemos, então, exercer apenas nosso direito de votar (e isso será direito!). Ou podemos desfazer-nos de nosso título... E a cidade estará mais limpa? Se depender de nós, eleitores, a cidade será limpa,  ou, ao menos, um pouco mais limpa. Candidatos, candidatas: a responsabilidade da limpeza é de vocês. A população quer cidade limpa.

                Nestor Eckert – nestor.eckert@esic.br


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