COLUNA DO PE. NESTOR

GOVERNAR É...

03/10/2016 por Pe. Nestor Eckert Compartilhar

Dos bons tempos como professor na Faculdade, lembro uma atividade que os alunos desenvolveram na disciplina “História do Pensamento Político, Econômico e Social”, que eu lecionava no curso de Filosofia.  Tratava-se de verificar ao longo da História, desde os tempos dos Gregos (Platão, Aristóteles, entre outros) até os pensadores do século XX, o que os autores entendiam por “governar”.

                Os gregos (com suas teses sobre Democracia), os pensadores romanos (com suas ideias de Estado e Leis – Direito Romano), Agostinho e Tomás de Aquino (na Idade Média), Rousseau (e seu Contrato Social), Maquiavel (e seu O Príncipe), Thomas Hobbes (e seu Leviatã), Hitler (e seu Mein Kampf) e outros... São diversos autores que apresentam ideias diferentes sobre o que seria sociedade, Estado, governo, cidadania, participação, exercício do poder e, assim por diante. Na atividade letiva pedia-se aos alunos que elaborassem um quadro histórico, apresentando os diversos conceitos, as diferentes ideias, as muitas sugestões que cada autor trazia sobre “governar é...”. Como conceito final e geral, resumo das diversas e diferentes  concepções de governo, resultou que “governar é harmonizar interesses”.

                Como entender este conceito ou esta ideia?

                 Para entender este conceito parte-se do seguinte: a sociedade compõe-se de diversos indivíduos. Cada indivíduo tem seus interesses particulares e próprios. Eles podem ser e, efetivamente, são diferentes de indivíduo para indivíduo. Há casos em que os interesses de alguns indivíduos coincidem, são semelhantes, muito parecidos. Neste caso, verifica-se coincidência de interesses. Estes indivíduos tendem a aproximar-se porque há interesses comuns. Estes indivíduos tendem a juntar-se, unir-se em torno da comunidade de interesses.

                Ao mesmo tempo, surgem outros grupos, com interesses diferentes e, até mesmo, contrários, opostos ou significativamente diferentes. Os indivíduos com interesses diversos vivem juntos em uma sociedade. Por ser membros da sociedade, cada indivíduo, cada grupo de indivíduos, todos os indivíduos têm direito a que seus interesses pessoais sejam satisfeitos, sejam atendidos, sejam devidamente considerados na organização e na ordem da sociedade.

                De outro lado, cada indivíduo detém poder. Todo e qualquer poder que há ou está instituído na sociedade, provém do indivíduo. O indivíduo é a fonte do poder. Mas, ao mesmo tempo, em uma sociedade organizada, não é possível que cada indivíduo e todos os indivíduos exerçam o poder que é de cada um. Com isso, os indivíduos delegam, “passam” o poder, que é seu, às mãos de um representante seu. Surge, assim, a “democracia representativa”. Os indivíduos que coincidem em seus interesses escolhem alguém para, efetivamente, exercer o poder em seu nome. Escolhem um representante seu para governar.

                A função do governante é harmonizar os interesses de todos os indivíduos e de cada indivíduo. Por isso, parece um pouco estranho que o governante, necessariamente, deva ser filiado a um partido. A tendência seria, em tese, que nesta condição, ele defenda os interesses daqueles que são membros de uma parte (partido) da população da sociedade inteira. Mas, o governante tem como função atender os interesses de todos os cidadãos, de todos os membros da sociedade e atender todos os interesses de cada cidadão. Por isso, costuma-se dizer que governar, ao mesmo tempo, que é uma ciência, é também uma arte. O governante, se ele for honesto consigo mesmo e com todos os membros da sociedade, exercerá o poder para o bem de todos. É que chamamos de governar em função do bem comum. É o que os governantes fazem ou deveriam fazer, conforme os pensadores da política...

                Nestor Eckert – nestor.eckert@esic.br – (41) 3376.1417 (ESIC - Curitiba).


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