COLUNA DO PE. NESTOR

DESARMAR ÂNIMOS.

13/12/2016 por Pe. Nestor Eckert Compartilhar

Nunca houve na História ano como este! 2016, que ano! À primeira vista e impressão, as duas assertivas parecem sensacionalistas. Parecem ser assim. Na verdade, são duas verdades. Efetivamente, o ano que estamos por finalizar nunca aconteceu na História. Ele nunca houve. É completamente novo. Único. Irrepetível. Assim como é novo cada novo ano.                O ano 2016 teve algumas razões para chegarmos ao final do mesmo com os ânimos um tanto exaltados. Outros chegam desanimados. Há quem chegue dizendo que não foi um bom ano. Por sua vez, há muitos que se dizem plenamente satisfeitos pelo que conseguiram realizar. Pessoas muito sinceras chegam a dizer que nunca fizeram tanto bem como em 2016. De outros lados, surgem procissões de arrependidos, chateados, desiludidos, irados.

Em razão de eleições em nível municipal, que ocorreram, houve entre cidadãos eleitores desentendimentos, discussões, falatórios, traições, mentiras... Coisas da vida. Coisas de momentos em que nossos ânimos se exaltam. Eleição sempre põe em jogo luta por poder. A palavra diz isto: luta. Há disputa de poder. Alguém ganha, alguém perde. Há vezes, em que todos perdem. Outras, em que o ganho é de todos. Todos ou quase todos. Em regime democrático, há alternâncias no poder. Está combinado, consensuado, legislado.

Nunca se ouviu dizer que quem tenha perdido uma eleição ou disputa por poder tenha gostado da situação. Perda dificilmente traz satisfação. O sabor de uma derrota ou perda costuma ser amargo e ácido. Perder uma eleição prostra as pessoas, machuca os ânimos, desanima e frustra. Dificilmente sabemos lidar com sensações negativas em nossas vidas. Isto não é extraordinário ou raro. É a condição de nossas vidas. Decepções sempre teremos entre nós. O importante é nossa reação diante de um ano que nos marcou por decepções ou dores ou enganos ou frustrações ou perdas. A única reação que não parece recomendável é a reação de desânimo, ou a reação de quem perdeu uma simples luta e agora depõe todas as armas e tenta fugir de si mesmo.

Estamos no primeiro dia do último mês de 2016. O Natal e suas mensagens e seus desejos de Paz e entendimento se aproxima. Este período coincide, em nosso Hemisfério, com tempos de férias, encontros com familiares e amigos, vizinhos e ex-colegas de trabalho, de aula, de seminário, de esportes. São encontros que exigem e trazem paz, ao mesmo tempo.

Estamos por viver um período em nossas vidas que requer que desarmemos nossos espíritos e ânimos. São momentos de pôr nossas cabeças no travesseiro e buscar uma consciência serena e tranquila. “Não há travesseiro mais macio que uma consciência tranquila”, dizia o técnico do time de basquete da Universidade da Califórnia – UCLA. Queremos boas férias e bom início de ano. São realidades que nós podemos construir. Por vezes, é necessário que superemos dores e lamentos para construir paz e serenidade. Há vezes em que temos de dar tempo ao tempo para que feridas cicatrizem e febres se acalmem. Toda crise, se enfrentada e superada, nos faz ser mais fortes. Mesmo que seja crise de decepção, frustração, traição, desânimo.

Estamos em tempo de desarmar nossos ânimos. Tempos de perceber que o futuro está em nossas mãos. E ele deve ser construído agora. Apenas sonhos e lamentos de passado que não foi como queríamos e futuro que não será como pretendíamos, de nada resolve. O atual Dalai lama diz: “Somente dois dias que não existem: ontem e amanhã”. Portanto, mãos à obra e aos ânimos desarmados.

Nestor Eckert – nestor.eckert@esic.br         


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